Home / Operacional / Exercício Cooperación XI chega ao fim com mais de 70 voos e atuação multinacional

Exercício Cooperación XI chega ao fim com mais de 70 voos e atuação multinacional

Treinamento reuniu Forças Aéreas de 14 países em missões de combate a incêndios, busca e salvamento e evacuação aeromédica Publicada em: 27/03/2026 07:25

O Exercício Cooperación XI foi encerrado nesta sexta-feira (27/03), consolidando-se como um dos maiores treinamentos multinacionais voltados à resposta a desastres nas Américas.

Realizado pela primeira vez no Brasil, na Base Aérea de Campo Grande (BACG), no Mato Grosso do Sul, o Exercício reuniu, entre os dias 16 e 27/03, cerca de 18 meios aéreos, mais de 1200 militares da Força Aérea Brasileira (FAB) e das Forças Aéreas ou equivalentes da Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai, além de representantes da Marinha do Brasil (MB) e do Exército Brasileiro (EB).

No decorrer do treinamento, foram realizados cerca de 70 voos para missões simuladas de combate a incêndios, busca e salvamento e evacuação aeromédica, evidenciando a intensidade e a efetividade das ações conduzidas durante o adestramento. O intuito foi aprimorar a coordenação de apoio mútuo, melhorar procedimentos de Comando e Controle (C2) das Operações Aeroespaciais em resposta a incêndios e fortalecer a capacidade de coordenação do país afetado diante de desastres naturais ou antrópicos.

A cerimônia de encerramento foi presidida pelo Diretor do Exercício e Comandante da BACG, Brigadeiro do Ar Newton Abreu Fonseca Filho, e contou com a presença de Oficiais Superiores das Forças Armadas e Representantes das Delegações de Nações Amigas que participaram do treinamento. Na ocasião, foi realizada a entrega de diversas homenagens e lembranças a militares e Forças Aéreas das Nações Amigas que se destacaram durante o Exercício.

 

“Ao longo desses dias, testemunhamos não apenas a execução de um Exercício operacional, mas também a materialização de um propósito maior: fortalecimento da cooperação internacional em apoio à assistência humanitária, resposta a desastres e integração entre Nações que compartilham valores comuns de solidariedade, profissionalismo e compromisso. As conquistas institucionais e

operacionais são inegáveis. Aperfeiçoamos os procedimentos, reforçamos a doutrina, testamos as capacidades, identificamos oportunidades de melhoria e, acima de tudo, fortalecemos. Cada missão realizada, cada planejamento conjunto e cada desafio superado contribuíram para elevar nosso nível de prontidão, mesmo diante de adversidades e dificuldades”, pontuou o Brigadeiro do Ar Newton.

Integração e preparo para cenários reais

Durante duas semanas de atividades intensas, os militares foram submetidos a situações simuladas complexas, que exigiram rápida tomada de decisão, coordenação entre países e emprego eficiente dos meios aéreos. As missões envolveram desde o combate a incêndios em voo até operações de busca e salvamento (SAR) e evacuação aeromédica (EVAM), refletindo cenários cada vez mais recorrentes no contexto de desastres naturais no continente.

“A Direção do Exercício, para desenrolar as operações, criou problemas militares que eram encaminhados para o Componente Aéreo. Assim, determinamos linhas de ação para contrapor ao

problema que era simulado para estabelecermos um planejamento com os meios disponíveis e com a situação em si envolvida. Todos que participaram do Exercício tiveram um engrandecimento profissional, assim como as Forças Aéreas”, destacou o Comandante do Componente Aéreo Combinado (CFAC), Brigadeiro do Ar Anderson da Silva Nishio.

 

Para executar as diversas missões simuladas foram empregadas aeronaves estrangeiras e brasileiras, como o KC-390 Millennium, operado pelo Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT) – Esquadrão Zeus; o H-60L Black Hawk e o SC-105 Amazonas, do Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV) – Esquadrão Pelicano; e o RQ-900, do Primeiro Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (1º/12º GAV) – Esquadrão Hórus. Além disso, outras Unidades da FAB também participaram do treinamento, como o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS).

Controle do tráfego aéreo e coordenação das missões

A elevada quantidade de aeronaves envolvidas exigiu um controle rigoroso do espaço aéreo, fundamental para garantir a segurança e a fluidez das operações durante todo o Exercício. Nesse contexto, o emprego do sistema Sistema de Apoio à Decisão para o Controle do Espaço Aéreo (DASA) foi essencial para auxiliar os controladores na coordenação das missões.

“No Exercício Cooperación XI, o DASA foi utilizado na consciência situacional das missões a partir da geolocalização, Informações Aeronáuticas e Meteorologia em tempo real às equipes de Planejamento Simulado e Vida Real, além dos pilotos nacionais e internacionais”, destacou o Tenente Especialista em Comunicações Alex Ribeiro Pereira.

Lições aprendidas e fortalecimento do suporte operacional

Além do emprego aéreo e das missões táticas, o Cooperación XI também se destacou pelo registro de importantes lições aprendidas, por meio da plataforma Academics, projetada para articular teoria e prática de forma a aperfeiçoar toda a dinâmica operacional do Exercício.

No âmbito da saúde operacional, estruturas como o Hospital de Campanha (HCAMP) mostraram-se essenciais, desempenhando um papel fundamental ao oferecer suporte de saúde aos militares participantes, ao mesmo tempo em que também utilizou o ambiente operacional para adestrar sua equipe de saúde, atuando diretamente em problemas militares simulados em cenários fictícios.

Além disso, pela primeira vez no âmbito de um Exercício Operacional, militares das áreas de Serviço Social e Psicologia atuaram diretamente no teatro de operações, agregando uma nova dimensão ao treinamento, no que diz respeito às relações interagências e ao suporte psicossocial em situações de crise.

SICOFAA e a cooperação internacional

O Cooperación XI integra um programa consolidado de exercícios realizados no âmbito do SICOFAA, organização que reúne países das Américas com o objetivo de fortalecer a cooperação e padronizar procedimentos em operações aéreas conjuntas. “Na função de Coordenador Geral, configurei uma trajetória que me permite afirmar que essas reflexões são fundamentais para fortalecer o sistema por meio de uma cooperação eficaz e sustentável. O que se observou ao longo destes ciclos confirma uma realidade inquestionável: o SICOFAA não para; evolui e melhora”, ressaltou o Coordenador do Exercício, Coronel Aviador Bruno Pedra.

 

Confira o álbum de fotos do Exercício.

Texto: Tenente Myrea Calazans / CECOMSAER

Fotos: Sargento Müller Marin e Viegas / CECOMSAER

Vídeo: Sargento André Souza / CECOMSAER

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *