Imagine uma guerra diferente — silenciosa, invisível e tão perigosa quanto qualquer conflito armado. Um cenário em que ameaças biológicas, químicas, nucleares e radiológicas se disseminam sem aviso, avançando com rapidez e transformando o ambiente em risco imediato.
É nesse contexto que teve início, no dia 27/04, na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), no Rio de Janeiro, o Exercício Operacional de Evacuação Aeromédica com foco em Defesa Biológica, Nuclear, Química e Radiológica (EXOP EVAM DBNQR), reforçando a capacidade da Força Aérea Brasileira (FAB) de salvar vidas nos ambientes mais extremos.
O Exercício ocorrerá até o dia 08/05 e é coordenado pelo Comando de Preparo (COMPREP), em colaboração com a Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA), tendo como Diretor do Exercício Operacional o Comandante da BAAF, Tenente-Coronel Aviador Leonardo Teles Gomes. Como parte de seus objetivos, o EXOP EVAM DBNQR visa promover o entendimento mútuo entre tripulações e equipes médicas; maximizar o uso dos recursos disponíveis para o aprimoramento das equipes
envolvidas; e adestrar os militares em missões conjuntas, com ênfase na integração entre saúde operacional e aviação militar.
O Comandante da BAAF ressaltou a relevância do Exercício para a Força Aérea e para a sociedade. “O EXOP EVAM DBNQR surgiu a partir da possibilidade de ameaças BNQR em grandes eventos, em que fosse preciso empregar os meios para poder fazer a exfiltração de pessoas em cenários onde ocorram ameaças biológica, nuclear, química e radiológica. Principalmente em eventos de grande vulto, como já aconteceu no Rio de Janeiro, na época da Copa do Mundo e das Olimpíadas, onde tripulações adestradas e treinadas, juntamente com a equipe médica ficaram de prontidão para dar uma pronta resposta no caso de um possível ataque desse tipo de ameaça e meio a um grande número de pessoas”, pontuou o Tenente-Coronel Teles.
Entre as aeronaves envolvidas no treinamento estão o C-105 Amazonas, o KC-390 Millennium, o C-97 Brasília, o C-95 Bandeirante e o H-36 Caracal, empregadas em missões simuladas de resgate, estabilização e transporte de pacientes em ambientes contaminados com agentes BNQR. Ainda, o treinamento reúne, além da FAB, a Marinha do Brasil (MB) e o Exército Brasileiro (EB), estimulando a interoperabilidade entre as Forças Armadas e o aprimoramento de ações conjuntas de DBNQR.
O Tenente Médico Gustavo Moura de Almeida, do Hospital de Aeronáutica de Canoas (HACO), destacou o que espera da capacitação. “As expectativas são as melhores possíveis. Eu não tinha participado do EXOP antes e como sou aeromédico e atuo na sessão de saúde operacional, o o objetivo é obtermos o melhor treinamento possível, para que quando ocorrer uma situação de um desastre com agentes BNQR, tenhamos o adestramento e consigamos atuar da forma mais técnica e mais profissional”, contou.
Análise Operacional
No contexto do EXOP EVAM DBNQR, a DIRSA e o Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE) tem o intuito de realizar ações estratégicas voltadas à preparação e à avaliação das capacidades das equipes de saúde que estão recebendo instruções teóricas e práticas. O programa abordará diversos temas, como fundamentos e normatizações da Defesa BNQR, com ênfase nas diretrizes doutrinárias da FAB; reconhecimento e vigilância BNQR; uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); e procedimentos de desinfecção. Durante as oficinas práticas, os participantes vão manusear EPIs, treinar o embarque e desembarque de vítimas em aeronaves e enfrentar exercícios simulados bem próximos da realidade, que exigirão tomada de decisão rápida em ambiente de contaminação.
“No Exercício, vamos trabalhar com dois tipos de evacuação, sendo eles a evacuação aeromédica em ambiente da BNQR, que é o objetivo principal desse exercício, e uma evacuação aeromédica convencional, que a gente atua no nosso dia a dia. Os equipamentos são os mesmos de saúde, a única diferença é que durante o ambiente da BNQR, utilizamos EPI, um material de proteção tanto para o paciente, no caso, as vítimas que podem ser transportadas, e para a equipe que está dando apoio e suporte de saúde no local”, explicou o responsável pela Célula de Avaliação de Desempenho Operacional (CADO), Capitão Médico Leandro Pacheco Amorim.
Fotos: Tenente Myrea Calazans e Sargento Neris / CECOMSAER e Soldado Ignez / BAAF








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